O exemplo que vem de Rondônia: turismo cresce com saneamento

A relação entre o saneamento e o turismo já é bastante conhecida: ter água tratada, coleta e tratamento de esgoto é fundamental para que o setor consiga atender bem os visitantes e se desenvolver. Além da importância para a saúde dos turistas, a preservação ambiental, com rios limpos e praias balneáveis, se torna um atrativo a mais para alavancar a atividade turística.

Do improviso ao alívio: a transformação no Hotel Nippon

O empresário Sebastião Carlos Filho, proprietário do Hotel Nippon, em Rolim de Moura (RO), sabe bem o que isso representa. Ele viveu o antes e o depois do saneamento nesta cidade de Rondônia, que conta com pouco mais de 56 mil habitantes (IBGE 2022), e agora seu empreendimento está ligado às redes de serviços. 

“Antes, a gente precisava fazer drenagem, chamar caminhões… Era sempre um transtorno. Às vezes o problema acontecia à noite e não tinha o que fazer, era preciso esperar até o dia seguinte para resolver. Agora, com a rede de esgoto, tudo ficou mais favorável para nós.”

Investimentos que mudam realidades em Rolim de Moura

A ligação do Hotel Nippon ao sistema de saneamento é um reflexo direto dos investimentos feitos no município. Segundo Alessandro Santos, responsável por grandes clientes da Águas de Rolim de Moura, a concessionária investiu mais de R$ 20 milhões em 2025, o que permitiu a ampliação das redes em mais de 20 mil metros — a propriedade do Seu Sebastião foi uma das beneficiadas.

“Estamos entre as cidades de Rondônia que mais investem em saneamento básico. A ampliação da rede de esgoto é uma prova do nosso compromisso com a saúde, a qualidade de vida da população e o desenvolvimento da cidade.”

Água tratada, economia real e segurança para hóspedes

Além do esgoto, a conexão à água tratada também proporcionou uma redução de despesas com água mineral e maior segurança para o consumo. 

“Isso traz mais qualidade de vida para os hóspedes e para os proprietários, além de contribuir para a preservação ambiental e gerar economia para o hotel.”

“Na cozinha, só usávamos água mineral, o que é um custo alto, porque tudo, até para fazer suco, era com água mineral. Agora, com a água tratada, melhorou muito”, completa o empresário do turismo.

Turismo como motor de empregos formais no Brasil

O que aconteceu em Rolim de Moura, em Rondônia, reflete o potencial do turismo brasileiro, que ainda tem muitas oportunidades. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, analisados pelo Ministério do Turismo, concluíram que o turismo brasileiro se consolida como um dos principais motores da geração de empregos formais no país. 

Entre janeiro e novembro de 2025, o setor foi responsável pela criação de 106.979 novos postos de trabalho, considerando as 57 atividades diretamente ligadas ao turismo em todo o Brasil. Somente em novembro de 2025, foram registrados 15.640 novos postos, consolidando o mês como o terceiro melhor resultado do ano na geração de novos empregos.

O desempenho reforça a trajetória positiva do setor ao longo do ano. No acumulado de 2025, o país contabilizou 1.668.264 admissões, evidenciando uma retomada consistente e o fortalecimento do mercado de trabalho brasileiro.

Sem saneamento, país perde oportunidades

Segundo o Trata Brasil, para que a atividade turística se desenvolva adequadamente, é essencial ter acesso pleno aos serviços de saneamento básico. Regiões sem coleta e tratamento de esgoto ou com escassez de água tratada comprometem, ou até anulam, o potencial turístico de uma localidade.

Um estudo do Instituto Trata Brasil aponta que as pessoas que moram em áreas com acesso ao saneamento básico têm maiores chances de atuar no setor. Ou seja, em municípios sem esses serviços, a proporção de habitantes empregados nas atividades turísticas tende a ser menor, resultando em menos oportunidades de trabalho. Sem as condições ambientais necessárias, a atividade turística não alcança todo seu potencial, pois áreas degradadas não atraem turistas brasileiros ou estrangeiros, gerando perdas em oportunidades de negócios e empregos.

Texto: Jefferson Tadeu de Carvalho e Rosiney Bigattão

Fotos: Arquivo Águas de Rolim de Moura.

Fontes: Dados sobre turismo do Trata Brasil | Estudo do Instituto Brasil | MInistério do Turismo

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