Aos 48 anos, o funcionário público Leonilton da Silva Prado não havia se dado conta de que a casa em que mora, e que foi construída pelos pais, vale hoje o dobro do preço de 2020, quando a rede de esgoto chegou ao bairro São Benedito, localizado em Timon (MA).
“Era um bairro periférico, sem nenhuma estrutura, sem saneamento básico, sem nada”, lembra. Quando a rede de esgoto chegou em 2020, tudo mudou — inclusive o valor do imóvel onde vive com três irmãs e dois sobrinhos.
“Quando se passa o saneamento básico, a pavimentação asfáltica e a estrutura do bairro, dá aquela outra visão. Hoje, o impulso da valorização aumentou 100%.”
Mais do que valorização
Para Leonilton, porém, a infraestrutura trouxe mais do que valorização: revelou um desafio cultural. “As pessoas ainda não se acostumaram com o novo. Falta conscientização da importância do saneamento básico”, reflete. Segundo ele, quem visita o bairro percebe rapidamente que o cenário mudou: “Quem chega diz que o bairro está saneado.”
“Só falta o reconhecimento mesmo, cultural, das pessoas saberem a importância da estrutura do bairro saneado, pavimentado.” Ele ressalta ainda que os efeitos são coletivos: com melhores condições sanitárias, há menos doenças e todo mundo ganha — moradores e poder público.
Saneamento: peça-chave para o avanço urbano
Essa percepção prática dialoga com o olhar de Sérgio de Oliveira Pontual, vice-presidente do Sinduscon Teresina. Ele explica que o serviço é peça-chave para o avanço urbano. “O setor imobiliário e o de saneamento básico estão intrinsecamente ligados”, afirma.
Estudos mostram que a valorização do ticket médio em áreas saneadas varia entre 15% e 20%, além de facilitar a aprovação legal de empreendimentos e reduzir custos de manutenção dos imóveis.
Em Timon, ele destaca o exemplo recente do bairro Centro, que registrou exatamente esse salto de valorização após a chegada da rede de esgoto.
Imóvel próprio ou alugado: todos ganham
Os impactos também aparecem no mercado de aluguel. Segundo dados do IBGE (2022) e do Painel Saneamento Brasil, residências com acesso aos serviços têm aluguel médio de R$ 792,13, enquanto naquelas sem o valor cai para R$ 577,82 — uma diferença de R$ 214,31.
Já segundo o Instituto Trata Brasil, a estimativa é de que a universalização do saneamento poderia gerar um ganho anual de R$ 2,4 bilhões para proprietários de imóveis no país, acumulando R$ 48 bilhões entre 2021 e 2040.
Não importa se o imóvel é próprio ou alugado: quando o saneamento chega, eleva a qualidade de vida e impulsiona a economia local. Atrai empresas, melhora a competitividade, diminui desigualdades, fortalece a autoestima das comunidades e torna os bairros mais seguros e organizados. É, como resume Sérgio, “o motor da valorização urbana”.
Em São Benedito, Leonilton confirma na prática o que mostram os dados: a chegada da infraestrutura não só duplicou o valor da casa onde cresceu, mas transformou a forma como o bairro é percebido. E esse é só o começo.
Texto: Chris Reis
Fotos: Acervo pessoal Leonilton
Fontes: Trata Brasil