Agentes comunitários: a força que aproxima o SUS da população

Agentes comunitários: a força que aproxima o SUS da população

Antes de chegar a uma Unidade Básica de Saúde (UBS), muitas famílias já receberam a visita de um profissional que conhece sua rotina, acompanha suas necessidades e sabe identificar problemas que nem sempre chegam aos serviços públicos. São os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), trabalhadores que atuam diretamente nas comunidades e ajudam a levar prevenção e orientação a milhares de brasileiros.

No documentário Drauzio e os Agentes, o médico Drauzio Varella destaca a importância desses profissionais para a saúde pública e o alcance das ações de prevenção no país.

“Não há profissional de saúde que chegue onde os agentes de saúde atuam. Para desenvolver estratégias de saúde que atinjam populações tão diferentes que vivem espalhadas num país do tamanho do nosso, é preciso ouvir os agentes de saúde. Eles é que estão nas linhas de frente e que conhecem os problemas das comunidades.” 

A ligação com as comunidades

Os ACS atuam na atenção primária à saúde e fazem a ligação entre as unidades básicas de saúde, as equipes de Saúde da Família e os moradores de um território.

Entre suas atividades estão visitas domiciliares, cadastro e acompanhamento das famílias, orientações sobre prevenção de doenças, identificação de riscos e encaminhamento de pessoas aos serviços de saúde.

Por lei, esses profissionais trabalham na promoção da saúde e na prevenção de doenças, por meio de ações individuais ou coletivas realizadas nas residências e nas comunidades.

Origem da profissão

A profissão de Agente Comunitário de Saúde foi criada pela Lei nº 10.507, de 10 de julho de 2002. A atuação desses trabalhadores, porém, começou antes disso. O Programa de Agentes Comunitários de Saúde (Pacs) foi implantado oficialmente pelo Ministério da Saúde em 1991. A iniciativa já existia no fim dos anos 1980 em partes do Nordeste, no Distrito Federal e em São Paulo. 

Vale lembrar que em 1970, os trabalhadores da extinta SUCAM (Superintendência de Campanhas de Saúde Pública), foram os primeiros a iniciar trabalhos de saúde junto às comunidades. Eles ficaram conhecidos como sucanzeiros, guardas mata-mosquitos ou soldados da malária, pois, além de aplicar inseticidas, também faziam vacinação em massa.

Com a expansão do Programa Saúde da Família, posteriormente denominado Estratégia Saúde da Família (ESF), os agentes passaram a integrar as equipes responsáveis pelo acompanhamento das famílias. Um trabalho essencial, como afirma Drauzio no documentário.

“A Estratégia Saúde da Família é um sucesso. São pessoas da comunidade. Eles conhecem todo mundo, são conhecidos e respeitados pelos outros, porque a pessoa, quando tem um problema qualquer, fala com o agente e o agente explica o que ela deve fazer. Eles são a porta de entrada para o sistema de saúde.”

Atuação no dia a dia

O conhecimento sobre o território é uma das principais características do trabalho dos ACS. A convivência com os moradores permite identificar necessidades e levar informações importantes às equipes de saúde.

Entre as atribuições desses profissionais estão:

  • Cadastrar e atualizar informações das pessoas e famílias de seu território.
  • Realizar visitas domiciliares, especialmente a moradores em situação de maior vulnerabilidade.
  • Orientar sobre vacinação, prevenção de doenças, sintomas e acesso aos serviços de saúde.
  • Identificar possíveis casos de doenças e encaminhar moradores à unidade de referência.
  • Apoiar ações de vigilância em saúde, incluindo o combate à dengue e a outras arboviroses.
  • Realizar procedimentos como aferição de pressão arterial, medição de glicemia e verificação de temperatura, conforme os protocolos e o planejamento da equipe.

Na Estratégia Saúde da Família, o ACS integra obrigatoriamente a equipe mínima, ao lado do médico, do enfermeiro e do técnico ou auxiliar de enfermagem.

Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados em 2024, o Brasil conta com aproximadamente 280 mil Agentes Comunitários de Saúde. Somados aos Agentes de Combate às Endemias, chegam a 400 mil.

Em geral, um agente acompanha 400 habitantes em áreas urbanas. Estados da Região Norte, além de Maranhão e Mato Grosso, contam com parâmetros adicionais relacionados à população rural.

A saúde começa perto de casa

O conhecimento dos agentes sobre as famílias e as condições de vida nos bairros permite que as equipes de saúde compreendam melhor as necessidades de cada território. É um trabalho que aproxima os serviços públicos dos moradores e ajuda a identificar situações que exigem atenção antes que se agravem.

Como destaca Drauzio Varella, esses profissionais estão na linha de frente e conhecem de perto os desafios das comunidades. Uma presença que faz diferença no acesso à saúde e no cuidado com a população.

Texto: Ray Santa Cruz

Edição de conteúdo: Rosiney Bigattão

Fotos: Ilustração de Ademildo Coelho Mendes – GAB/SVSA/MS 

Fontes: Legislação |Ministério da Saúde | Governo Federal

MATÉRIAS
RELACIONADAS

No Ceará, lixo retirado da rede de esgoto encheu 19 caminhões em 2026

Higiene na escola: veja hábitos simples que protegem a saúde de todos

Veja o que a água carrega se não for tratada e saiba como se proteger