Brasil já perdeu 25% dos manguezais e a degradação continua avançando

Brasil já perdeu 25% dos manguezais e a degradação continua avançando

O Brasil abriga a segunda maior área de manguezais do planeta, mas cerca de 25% desses ecossistemas já foram destruídos ao longo do último século. Essenciais para a biodiversidade, a proteção costeira e o equilíbrio climático, os mangues enfrentam pressões crescentes provocadas pela urbanização, pela poluição e pelas mudanças climáticas.

Localizados na transição entre a terra e o mar, os manguezais funcionam como verdadeiros berçários naturais para peixes, crustáceos, moluscos e aves. Fonte de geração de renda, eles permitem que mais de 500 mil brasileiros — entre eles pescadores e pescadoras artesanais, marisqueiras e extrativistas — utilizem os recursos para a própria sobrevivência.

Além disso, atuam como filtros biológicos, retendo poluentes transportados pelos rios antes que cheguem às águas costeiras.

Gigantes da captura de carbono

Os manguezais estão entre os ecossistemas mais eficientes do planeta no armazenamento de carbono. Na Amazônia, onde algumas árvores podem atingir até 30 metros de altura, esses ambientes chegam a retirar da atmosfera até três vezes mais dióxido de carbono do que as áreas de floresta de terra firme.

A capacidade de armazenar carbono no solo alagado transforma os mangues em importantes aliados no combate às mudanças climáticas e na redução das emissões dos gases de efeito estufa.

Amazônia concentra a maior área protegida do mundo

Um levantamento do “Atlas dos manguezais do Brasil” (publicado em 2018 pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio) informa que cerca de 80% dos manguezais brasileiros estão concentrados no Maranhão, no Pará e no Amapá. Entre o Maranhão e o Pará está o maior território contínuo de manguezais sob proteção legal do planeta.

Mesmo protegidas, essas áreas enfrentam desafios relacionados à extração irregular de madeira, à poluição e à necessidade de monitoramento permanente. Projetos desenvolvidos na região utilizam o mapeamento participativo com as comunidades locais para identificar áreas degradadas, monitorar espécies e orientar ações de recuperação ambiental. 

Degradação preocupa especialistas

Ainda segundo os dados do estudo, estima-se que, entre os 25% de manguezais destruídos, a perda seja mais intensa nas regiões Sudeste e Nordeste. A expansão urbana desordenada, a ocupação irregular do litoral e a contaminação por resíduos e derramamentos de petróleo estão entre as principais ameaças.

Além dos impactos sobre a biodiversidade, a degradação compromete a proteção natural contra a erosão, as ressacas e as inundações costeiras.

Tecnologia e restauração ganham espaço

Em 2024, pesquisadores da Unicamp desenvolveram uma metodologia baseada em imagens de satélite para monitorar a saúde dos manguezais afetados por derramamentos de petróleo. A tecnologia permite avaliar rapidamente grandes áreas e acompanhar processos de recuperação ambiental.

Especialistas defendem que o país amplie projetos de restauração ativa e fortaleça programas de conservação para orientar a proteção e o uso sustentável desses ecossistemas.

Preservação é estratégica para o futuro

Por outro lado, o ICMBio cita que o esforço de conservação é crescente no Brasil: o país possui 120 unidades de conservação com manguezais em seu interior (sendo 55 federais, 46 estaduais e 19 municipais; dessas, 83% são de uso sustentável e 17% de proteção integral), as quais cobrem uma área de 1.211.444 hectares — o que representa 87% de todo o ecossistema no Brasil. 

Entre as políticas públicas, o Projeto Manguezais do Brasil é citado como exemplo, assim como o Programa Nacional para a Conservação e Uso Sustentável dos Manguezais do Brasil (ProManguezal), que reconhece os manguezais como ecossistemas-chave para a biodiversidade aquática — tanto de água doce quanto marinha — e para o enfrentamento da mudança do clima, além de fornecerem proteção natural contra erosão costeira e eventos extremos.  

Monitorar, recuperar áreas degradadas e reduzir as fontes de poluição são medidas essenciais para garantir a sobrevivência de um dos ecossistemas mais importantes do país.

Texto: Ray Santa Cruz
Fotos: Envato
Fontes: Agência Brasil| Unicamp | Atlas Manguezais| Governo Federal



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