Uma bituca de cigarro jogada no bueiro pode parecer algo insignificante. No entanto, esse resíduo percorre galerias pluviais, alcança córregos, rios – e pode contribuir para a contaminação dos corpos d’água. O exemplo ajuda a ilustrar como pequenas ações do dia a dia têm impacto direto no meio ambiente, no saneamento e, consequentemente, na saúde pública.
A doutora em Saúde Pública, pesquisadora e professora Maria Tereza Razzolini, do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), pontua que os maiores impactos ambientais estão relacionados a grandes geradores de poluição e a decisões tomadas em escala econômica e governamental. Ainda assim, ela destaca que a população também tem um papel importante na construção de cidades mais sustentáveis.
“Eu acredito muito nisso. Embora a gente saiba que os grandes predadores sejam outros, me dá conforto pensar que posso fazer alguma coisa como cidadã, mãe, dona de casa e profissional da área de saúde.”
O impacto começa nas escolhas diárias
Embora a responsabilidade pelos maiores impactos ambientais recaia sobre grandes geradores de poluição e sobre decisões estruturais, especialistas destacam que as atitudes da população também influenciam a qualidade ambiental e a eficiência dos serviços urbanos. O descarte correto de resíduos, o consumo consciente e a participação social ajudam a reduzir esses impactos e a fortalecer a preservação dos recursos naturais.
Informar-se de forma crítica, participar das discussões sobre o futuro das cidades e refletir sobre hábitos de consumo são atitudes que ajudam a conectar os desafios globais às ações locais. Questões como o uso consciente da água e da energia elétrica e a forma como os resíduos são descartados fazem parte desse processo.
No dia a dia, reduzir o consumo de produtos descartáveis, priorizar a reutilização de materiais e separar corretamente os resíduos para a reciclagem contribuem para diminuir a pressão sobre aterros sanitários e sobre o meio ambiente. O descarte adequado de medicamentos também exige cuidados, já que evita a contaminação de solos e cursos d’água.
“Reciclar o lixo é uma coisa que eu levo muito a sério. Levar os medicamentos para serem descartados de forma correta e economizar água são atitudes fundamentais.”
Saneamento também depende de conscientização
A relação entre comportamento e saneamento nem sempre é percebida pela população. O descarte irregular de resíduos nas ruas, por exemplo, pode obstruir bocas de lobo e redes de drenagem, aumentando o risco de alagamentos durante períodos de chuva intensa. Além disso, o desperdício de água e a destinação inadequada de resíduos impactam diretamente a eficiência dos serviços de saneamento e a qualidade ambiental das cidades.
Para a professora, a educação ambiental continua sendo uma ferramenta importante para ampliar a conscientização e estimular mudanças de comportamento.
“Sempre que tivermos a oportunidade, devemos educar nossos filhos e compartilhar essas práticas com outras pessoas. Quando alguém percebe que é possível fazer diferente, acaba estimulando outras mudanças.”
Participação que gera transformação
Mais do que atitudes individuais, é fundamental a participação social na construção de soluções coletivas. Acompanhar políticas públicas, cobrar investimentos em saneamento nos municípios e participar de iniciativas comunitárias são formas de fortalecer a proteção ambiental e a qualidade de vida.
Em um cenário marcado por mudanças climáticas, aumento da geração de resíduos e desafios na universalização do saneamento, ações simples podem parecer pequenas. Mas, quando multiplicadas por milhões de pessoas, ajudam a construir cidades mais resilientes, saudáveis e sustentáveis.
Texto: Ray Santa Cruz
Fotos: Imagem gerada por IA.
Fontes: Instituto de Pesquisas Ecológicas| Correio Braziliense | Revista Galileu