Calor extremo expõe a ausência de saneamento e pode até matar

Calor extremo expõe a ausência de saneamento e pode até matar

O verão brasileiro sempre foi quente. Mas agora é diferente: as ondas de calor estão mais intensas, mais frequentes e mais prolongadas. E não se trata apenas de desconforto: o calor extremo é hoje um dos fenômenos climáticos mais letais do país.

Quando o termômetro sobe, a desigualdade também aparece, pois além das temperaturas elevadas aumentarem o risco de morte e pressionarem hospitais, revelam um problema estrutural que ainda atinge milhões de brasileiros: a falta de saneamento básico.

O calor que mata

Dados do estudo Clima em Síntese: saúde e ondas de calor no Brasil (2015–2025), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mostram que as ondas de calor estão entre os eventos climáticos mais letais no país.

Mesmo episódios de poucos dias já são suficientes para elevar o número de internações e óbitos — especialmente entre idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas.

O motivo é biológico. O corpo humano precisa manter sua temperatura estável. Quando exposto ao calor excessivo, ele tenta compensar com sudorese e vasodilatação. Mas há um limite.

Se a hidratação não é suficiente ou se a exposição é prolongada, podem surgir:

  • desidratação severa
  • insolação
  • queda ou elevação brusca da pressão
  • arritmias
  • agravamento de doenças cardíacas e respiratórias
  • aumento do risco de infarto e AVC

Em casos extremos, pode levar à morte.

Um alerta que vem do clima — e da ausência de saneamento

Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente já apontam: as ondas de calor tendem a se tornar mais frequentes no Brasil. Mas o impacto delas depende da infraestrutura disponível.

Cidades com saneamento adequado, acesso à água tratada e políticas de saúde preventiva conseguem reduzir danos. Onde isso falta, o calor deixa de ser apenas um fenômeno climático — e se transforma em crise de saúde pública. Entender a relação entre calor extremo, doenças do verão e saneamento é essencial para salvar vidas.

Texto: Rosiney Bigattão
Fotos: Envato
Fontes: Ministério da Ciência, Estudo sobre clima e ondas de calor no Brasil, FioCruz



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