“Agora posso receber gente em casa”, diz Elisete ao se conectar à rede

“Agora posso receber gente em casa”, diz Elisete ao se conectar à rede

“Agora posso receber gente em casa, quem chegar pode usar o banheiro à vontade que está tudo certo”, diz a aposentada Maria Elisete, de 75 anos, moradora do bairro Parangaba, em Fortaleza (CE).

A frase simples resume uma mudança importante na vida dela. Durante anos, receber visitas era motivo de preocupação dentro de casa. O medo de a fossa encher e o custo frequente para esvaziá-la transformavam algo comum — como usar o banheiro — em um problema constante.

Maria Elisete vive no mesmo endereço há mais de 50 anos, mas só recentemente conseguiu interligar a residência à rede de esgoto disponível na rua. Antes disso, a rotina era marcada pelo mau cheiro, pela insegurança sanitária e por despesas que pesavam no orçamento doméstico.

“Gastei muito com esgotamento de fossa. Às vezes, a gente acabava de limpar e durava só um mês. Pagava R$ 200, R$ 250… não tinha bolso que aguentasse. Eu ficava pensando: como vou fazer?”

O impacto não era apenas financeiro; a situação também interferia na forma como ela recebia amigos e familiares. “Quando chegava parente do interior, eu já ficava preocupada. Se alguém pedia para usar o banheiro, eu pensava logo na fossa. Cheguei a dizer para o parente: ‘não vá ao banheiro’”, conta, rindo hoje da situação que enfrentou durante tantos anos.

A mudança veio em 2025, quando a casa finalmente foi conectada ao sistema de esgoto da Parceria Público-Privada entre a Ambiental Ceará e a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). Desde então, a tranquilidade passou a fazer parte da rotina.

A ligação à rede de esgoto é fundamental.
A ligação à rede de esgoto é fundamental.

Rede de esgoto disponível, é hora de conectar!

A história de dona Elisete representa a realidade de muitas famílias; por isso, é fundamental que cada morador faça a ligação à rede de esgoto quando o sistema chega ao bairro.

No Ceará, cerca de 183 mil imóveis já possuem infraestrutura disponível para ligação à rede coletora, mas ainda não realizaram a conexão. Equipes sociais visitam as residências cearenses, sensibilizando a população sobre a importância dessa etapa.

Vários estudos mostram que garantir que os imóveis se conectem às redes disponíveis é um passo importante para reduzir desigualdades e ampliar oportunidades. Para dona Elisete, a transformação já é sentida nas pequenas coisas do cotidiano — como abrir a porta de casa e receber visitas sem se preocupar com o uso do banheiro. 

“Agora estou livre. Pode chegar gente a qualquer hora que não tem mais transtorno. A vida ficou melhor, mais digna.”

Texto: Ray Santa Cruz

Fotos: Arquivo Ambiental Ceará

Fontes: Trata Brasil

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