No verão, falta de saneamento aumenta doenças entre as crianças

No verão, falta de saneamento aumenta doenças entre as crianças

O verão traz dias mais longos, calor intenso, mudanças na rotina das famílias e exige atenção redobrada com a saúde das crianças. As altas temperaturas afetam diretamente o comportamento e o bem-estar dos pequenos, aumentando os riscos de desidratação, diarreias e outras doenças, especialmente em regiões onde o saneamento básico ainda é insuficiente.

Com mais de 20 anos de experiência na educação infantil, a professora Luiza Regina observa de perto esses impactos no dia a dia escolar. 

“A gente percebe que as altas temperaturas influenciam diretamente o comportamento das crianças. Elas ficam mais agitadas e precisam de um maior acompanhamento”, relata. 

Lecionando há décadas, a professora alerta sobre cuidados com a saúde das crianças.

A professora Luiza Regina destaca essa relação entre saneamento, saúde e educação. “É muito importante a parte do saneamento básico, pois proporciona melhor saúde às crianças e às famílias, e isso reflete diariamente na educação”, afirma. 

Luiza reforça que o cuidado com os pequenos no verão passa tanto por atitudes simples no cotidiano quanto por investimentos estruturais que garantam o saneamento, ou seja, condições dignas de vida.

Quando o calor se soma à falta de saneamento

A ausência de saneamento agrava o risco de doenças infantis, principalmente no verão. Nessa época, há um aumento das chuvas, o que favorece a contaminação da água e dos alimentos, elevando a incidência de viroses gastrointestinais, hepatite A, febre tifoide e leptospirose. 

Para milhares de crianças brasileiras, os desafios do verão vão além do desconforto térmico. Dados da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, com base na PNAD Contínua do IBGE, mostram que 7,2 milhões de crianças de 0 a 6 anos vivem sem acesso à rede de esgoto, o que representa 35% da população na primeira infância. Além disso, 618 mil crianças dessa faixa etária não têm acesso à água canalizada.

Já estudos do Instituto Trata Brasil de 2024 apontam que, das 344 mil internações registradas no país por Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI) , 70 mil ocorreram entre crianças de 0 a 4 anos, representando 20% do total de casos. São mais de 53 casos por 10 mil habitantes.

Entre as cinco regiões, o Nordeste registrou 26,1 mil internações de crianças de até 4 anos, o maior número entre todas as regiões. O Sudeste também apresentou números elevados: 16,2 mil internações.

Maior vulnerabilidade infantil

De acordo com o estudo Clima em Síntese: saúde e ondas de calor no Brasil (2015–2025) que aponta as ondas de calor como um dos fenômenos climáticos mais letais do país —, as crianças estão entre os grupos mais vulneráveis, especialmente os lactentes, devido à imaturidade fisiológica e à maior dependência de cuidados constantes. Esse cenário reforça a importância da prevenção, da hidratação e de políticas públicas que garantam acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário.

Em meio ao calorão, o saneamento se mostra um aliado fundamental para reduzir doenças, evitar internações e garantir um desenvolvimento mais saudável para as crianças brasileiras.

Texto: Ray Santa Cruz
Fotos: Arquivo Pessoal Professora Luiza e Envato.
Fontes: Fundação Maria Cecília Souto Vidigal | Trata Brasil  | Instituto Trata Brasil Estudo 2024/ Estudo Clima em Síntese



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