Dia do Trabalho: saneamento como motor da economia

Dia do Trabalho: saneamento como motor da economia

O saneamento básico revela um papel que vai além da infraestrutura: o de motor da economia brasileira. Ao gerar empregos, impulsionar setores produtivos e melhorar a saúde da população, o avanço dos serviços cria um ciclo virtuoso. Esse processo começa no canteiro de obras e continua produzindo impactos positivos por muito tempo após sua conclusão, espalhando benefícios por toda a sociedade.

“O saneamento é um setor estratégico que impulsiona o crescimento sustentável, a redução das desigualdades e a geração de empregos. Quando chega a uma cidade, movimenta imediatamente a economia local. As obras geram trabalhos diretos, impulsionam o comércio e aumentam a arrecadação. Na operação, há contratação de mão de obra local, serviços contínuos e demanda por fornecedores regionais.”

A afirmação de Christianne Dias, diretora-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (Abcon), traduz os números apontados para o setor: será criado 1,5 milhão de novos postos de trabalho com o Novo Marco Legal do Saneamento. Para ela, investir em saneamento é investir diretamente no crescimento do país.

Emprego e renda para os brasileiros

O saneamento é um grande gerador de empregos, com expansão de 39,1% no nível de ocupação no próprio setor. Seus investimentos vão além das obras e impulsionam cadeias como a da construção civil, a da indústria de tubulações, a de máquinas e equipamentos e a do setor elétrico.

“Os postos de trabalho estão distribuídos ao longo de toda a cadeia produtiva. Na fase de implantação dos serviços, destaca-se a construção civil, responsável por quase 68% da demanda de investimentos, seguida pelos setores de tubulação, equipamentos e materiais diversos”, explica a diretora-presidente.

A projeção na construção civil é de aumento de 5,1% nos postos de trabalho até 2033. Ao final desse período, o nível de emprego total no país será 0,9% maior graças aos investimentos em saneamento.

Um setor que movimenta trilhões

O impacto vai além dos grandes números, já que a manutenção das redes de abastecimento e esgoto é contínua e demanda profissionais diuturnamente. Um estudo da Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon Sindcon), publicado em 2022, estima que o setor pode gerar um impacto de R$ 1,4 trilhão no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro ao longo de 12 anos.

Para alcançar a universalização dos serviços até 2033, a Abcon estima que são necessários investimentos de R$ 893,3 bilhões. Apenas nos próximos quatro anos, serão necessários R$ 308,1 bilhões para manter o país na trajetória das metas estabelecidas.

Produtividade: o impacto invisível

Se o emprego é um dos motores, a produtividade é o combustível desse ciclo econômico. Menos doenças significam menos afastamentos do trabalho, e menos afastamentos resultam em maior capacidade produtiva. Trabalhadores mantêm sua rotina, pequenos negócios operam com mais estabilidade e comunidades inteiras ampliam sua geração de renda.

Esse ciclo, muitas vezes invisível, tem impacto direto no crescimento econômico. A lógica é clara: sem saúde, não há trabalho — e sem trabalho, não há economia.

O desafio da conexão e a geração de renda local

Apesar dos avanços, ainda há desafios significativos. Em muitos casos, a infraestrutura existe, mas as casas não estão conectadas à rede — o que limita os benefícios do saneamento. É nesse ponto que iniciativas como a da engenheira Deyse Coelho ganham relevância. 

À frente da Almerindas Saneamento, ela desenvolve projetos que unem engenharia e trabalho social, com foco na conexão das residências e na geração de renda dentro das próprias comunidades. Um dos destaques é a capacitação de mulheres para atuar em pequenas obras e adaptações dentro das casas, etapa essencial para viabilizar a ligação ao sistema.

“A ideia é formar mulheres para atuar em pequenas obras e melhorias dentro das casas, especialmente nas adaptações necessárias para conectar os imóveis à rede de esgoto. Essas intervenções intradomiciliares muitas vezes são o principal obstáculo para a conexão. Ao capacitar mulheres da própria comunidade, conseguimos resolver problemas técnicos e, ao mesmo tempo, gerar renda local.”

Um ciclo que transforma o país

O saneamento é um dos investimentos mais estratégicos para o Brasil. O setor garante infraestrutura e ativa um ciclo econômico completo: começa na obra, passa pelo emprego, fortalece a renda e a saúde da população, e retorna em forma de produtividade e desenvolvimento. Olhar para o saneamento é reconhecer o trabalho de milhões de brasileiros que, direta ou indiretamente, constroem um país mais saudável, produtivo e sustentável.

Texto: Ray Santa Cruz
Foto: Arquivo da Águas do Rio
Fontes: Brasil 61 | Conan  | Abicom/Sindcom |

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