Antes, o beco era um lugar onde as crianças não conseguiam brincar sem entrar em contato com a água suja. Havia insetos, ratos, mau cheiro e uma rotina marcada pela presença do esgoto. Hoje, a cena mudou. “Está tudo seco, sem água suja e muito mais seguro para as crianças brincarem”, conta Chris Soares, liderança comunitária da Águia de Ouro, em Inhaúma, na zona norte do Rio.
A transformação veio depois da implantação de uma nova rede de esgoto na comunidade, onde cerca de 600 moradores passaram a contar com uma estrutura que eliminou o despejo incorreto de mais de 40 mil litros de esgoto por dia. A obra mostra, na prática, como uma infraestrutura que quase ninguém vê pode produzir mudanças que aparecem todos os dias.
Quando o esgoto aparece
Durante anos, os moradores da Águia de Ouro precisaram conviver com o problema dentro de casa e nos caminhos da comunidade. O esgoto enchia os becos, a sujeira se acumulava e o mau cheiro fazia parte da rotina. A moradora conta que a mudança foi percebida rapidamente, transformando a realidade do local.
“Nós vivíamos em uma situação crítica. Havia muitos insetos, e as crianças adoeciam com frequência. As mães procuravam ajuda todos os dias. Hoje eu quase nem reconheço o beco.”
O que os olhos não veem
O esgoto pode carregar contaminação que não é percebida apenas pela aparência. O problema também se manifestava de forma muito concreta: água contaminada e contato diário com insetos e ratos, o que aumentava o risco de doenças.
A infraestrutura responsável pela mudança na comunidade corresponde a 80 metros de rede coletora, poços de visita e conexões dos imóveis ao sistema de tratamento de esgoto da região. As equipes precisaram trabalhar em becos estreitos e de acesso restrito para concluir a intervenção.

O benefício aparece na rotina
Para Laís de Jesus, que é mãe de dois filhos, a mudança também está no cotidiano das crianças.
“Melhorou bastante. As crianças brincavam aqui no meio de baratas, lacraias e ratos. O esgoto enchia o beco, e elas acabavam pisando naquela sujeira. Agora isso acabou. O cheiro era surreal, tudo boiava. Gostei muito. Estão de parabéns pela obra.”
Do problema à solução
Para Patrick Rodrigues, coordenador de Operações da Águas do Rio, o resultado vai além da instalação da rede.
“Levar saneamento para lugares como a Águia de Ouro significa eliminar um problema que afetava diretamente a saúde e a rotina das famílias. Hoje, esse beco deixou de ser um ponto de contaminação e passou a oferecer mais segurança e qualidade de vida para quem mora aqui.”
Texto: Ray Santa Cruz
Fotos: Águas do Rio
Fontes: Águas do Rio