“Saneamento é saúde, não é só cano.”
“Saneamento impacta gerações. É ciência: aumenta o saneamento, cai o número de doenças diarreicas.”
“Custa muito caro ser pobre. Tempo e energia que você gasta para garantir acesso à água, para cuidar da criança… Quem mora em uma área segura não gasta esse dinheiro, não gasta essa energia.”
Essas são algumas das falas que puderam ser ouvidas na abertura do Rio Innovation Week, a maior conferência global de inovação e tecnologia. Durante quatro dias, serão cerca de 3 mil vozes de palestrantes de 20 países nos 35 palcos simultâneos onde acontecem cerca de 60 conferências. Elas trazem convidados de áreas tão diversas quanto a ciência, a arte, o empreendedorismo, a sustentabilidade e a tecnologia. Somando ao público, são milhares de pessoas interessadas em discutir ideias capazes de transformar o futuro — e o saneamento faz parte dessa conversa.

Inovação para melhorar a vida das pessoas
O Rio Innovation Week (RIW), que acontece com apoio do Instituto Aegea e da Águas do Rio, tem como tema “Simbiose”, enfatizando que as grandes transformações acontecem quando diferentes áreas do conhecimento trabalham juntas. Os debates mostram a conexão entre áreas distintas do pensamento humano, essenciais para a construção de cidades mais sustentáveis, capazes de enfrentar os desafios globais como a escassez de recursos hídricos e os impactos das mudanças climáticas. Sem esse olhar, nenhuma inovação consegue melhorar, de fato, a vida das pessoas.
“É justamente essa relação que o Saneamento Salva traz para o Rio Innovation Week. Estar aqui é uma oportunidade para mostrar o quanto é possível melhorar a vida das pessoas por meio do saneamento e de projetos socioambientais que buscam reduzir desigualdades, melhorar a educação e criar soluções que ampliem a renda nas comunidades”, afirma Édison Carlos, presidente do Instituto Aegea.

“Saneamento Salva: quando infraestrutura transforma vidas”
Édison Carlos participou de um dos painéis que abriram a semana: “Saneamento Salva: quando infraestrutura transforma vidas”. Ao lado de Maria Fantinatti, professora da UERJ e pesquisadora da Fiocruz, Danilo Moura, especialista em Clima e Meio Ambiente do UNICEF, e Ruan Juliet, líder da Rocinha, falou de inovação para ampliar o acesso ao saneamento e enfrentar os desafios globais.
“É um tema bastante importante neste momento de efeitos climáticos extremos que o Brasil vive e com a chegada do super El Niño. Isso reforça a necessidade de debater os esforços que todos precisam fazer e de mostrar como ter saneamento é importante para enfrentar esses desafios. Nesse cenário, precisamos incentivar parcerias, como as que o Instituto Aegea tem com grandes entidades — a Fiocruz, o UNICEF e outras que estarão presentes aqui no Rio Innovation Week”, diz Édison Carlos.

“Os impactos da crise climática são sentidos pela água, se estiver contaminada, vai impactar na infância. As crianças precisam de uma atenção especial tanto no ponto de vista do desenvolvimento quanto pelo fisiológico”, afirmou Danilo Moura, especialista em Clima e Meio Ambiente do UNICEF. “Quem é menos responsável pela crise climática é quem mais sofre os impactos dela, é preciso entender que o desafio da equidade e das mudanças climáticas é um só”, disse.
Nascido e crescido na Rocinha, no Rio, Ruan Juliet, um dos líderes da comunidade, levou para o Rio Innovation Week a experiência de quem vivencia a escassez e enxerga a necessidade de mudança. “Não sou especialista, mas represento milhares de moradores. Moro há 22 anos no sub-bairro chamado Valão. Aquilo virou normal pra gente: sentir cheiro de esgoto, ver moradores perdendo suas casas e ter esgoto a céu aberto. Ter água tratada em casa era uma utopia, mas a água está chegando com mais qualidade em algumas áreas”, conta.

“Saneamento impacta gerações, é ciência: aumenta o saneamento, cai o número de doenças diarreicas e até mesmo a transmitida por vetores, como os mosquitos”, disse a professora e pesquisadora Maria Fantinatti durante o painel. Um diálogo que conversa diretamente com a proposta do Rio Innovation Week em 2026: a expectativa é ampliar o alcance do evento ainda mais e democratizar o acesso aos debates sobre inovação e as mudanças que ele pode provocar.
“Nosso compromisso segue firme: expandir o acesso à tecnologia e à inovação para além dos palcos, chegando a novos públicos. Queremos reforçar que a tecnologia só se sustenta quando abraça um propósito maior — o de gerar desenvolvimento humano, social e ambiental”, diz o cofundador do RIW, Fábio Queiroz.
Serviço
De 4 a 7 de agosto, no Pier Mauá, no Rio de Janeiro (RJ)
Confira a programação completa e mais informações clicando aqui.
Texto: Márcia Menezes e Rosiney Bigattão
Fotos: Carol Montagna