Alerta: estar na piscina, no rio ou no mar não significa estar hidratado

Alerta: estar na piscina, no rio ou no mar não significa estar hidratado

Em dias de calor intenso, entrar na piscina, no mar ou mesmo em rios pode trazer uma sensação imediata de frescor. No entanto, essa percepção pode enganar. Mesmo dentro da água, o corpo continua perdendo líquidos e energia — e é justamente aí que mora o risco: a falsa sensação de hidratação.

O alerta é do professor de natação Álvaro Ferreira, que trabalha com crianças e adolescentes em Aquidauana (MS), município conhecido pelas altas temperaturas durante o verão.

“A natação, apesar de ser uma atividade aquática, gera gasto energético e produção de suor. As pessoas não percebem porque estão na piscina, mas o tempo de treino pode levar à desidratação. Por isso, sempre peço que os alunos deixem as garrafinhas de água na beira da piscina e se hidratem com frequência.”

O corpo continua perdendo líquidos

A imersão em água pode criar uma falsa sensação de hidratação porque reduz a percepção do suor. Mesmo assim, o organismo continua perdendo líquidos para manter a temperatura corporal equilibrada.

Em ambientes aquáticos, o corpo perde calor mais rapidamente, o que diminui a percepção de transpiração. No entanto, a perda de água continua ocorrendo gradualmente.

Estudos publicados na Revista Brasileira de Nutrição Esportiva mostram que nadadores podem perder até 5,8 ml de suor por minuto durante treinos, mesmo quando acreditam estar bem hidratados.

Crianças se refrescam na piscina, mas a hidratação continua sendo essencial.
Crianças se refrescam na piscina, mas a hidratação continua sendo essencial.

Calor aumenta o risco

Ambientes quentes aceleram a perda de água e sais minerais do organismo, agravada pela exposição ao sol em praias e piscinas. Além disso, a água do mar e o cloro das piscinas podem ressecar a pele, enquanto o calor intensifica a perda de líquidos do corpo. Entre os sinais de alerta estão urina escura, tontura, fadiga e pele seca — sintomas que podem evoluir para insolação se não houver reposição adequada de líquidos.

Segundo o professor, os cuidados começam antes mesmo de entrar na água.

“Minha primeira preocupação é com o sol. Sempre peço que os alunos apliquem protetor solar antes das aulas, principalmente por causa das temperaturas elevadas aqui na cidade. E isso vale para atletas e banhistas em geral.”

Cuidados depois da água

Além da hidratação, a higiene após sair da água também é importante. Álvaro orienta que crianças e adultos sequem bem o corpo, principalmente entre os dedos dos pés, nas unhas e atrás das orelhas, para evitar fungos e frieiras.

“Também é importante trocar a roupa molhada por uma roupa seca, seja na piscina, na praia ou no rio.”

Para o professor, pequenas atitudes fazem diferença para garantir saúde e bem-estar durante atividades aquáticas, especialmente em dias de calor intenso.

Texto: Ray Santa Cruz

Fotos: Acervo Alvaro Ferreira

Fontes: Revista Brasileira de Nutrição EsportivaBahia TerraUOL

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