Mais de 1 milhão de piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento já foram despejadas no meio ambiente brasileiro em 2026, segundo o Instituto Trata Brasil. O número chama a atenção para um problema que vai além da infraestrutura: quando o esgoto não é coletado e tratado, direitos humanos básicos, como saúde, dignidade e qualidade de vida, também são afetados.
Reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como um direito humano desde 2010, o acesso à água potável e ao saneamento é considerado essencial para o exercício de diversos outros direitos. No Brasil, a Lei nº 11.445/2007 estabelece que esses serviços devem ser universais, seguros, contínuos e prestados a toda população.
Conforme publicação do Trata Brasil, todos os dias, 5.442 piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento são lançadas na natureza no país — o equivalente a quase quatro por minuto. Segundo o Esgotômetro da organização, baseado em dados do Sinisa de 2024, apenas 51,8% do esgoto gerado no Brasil é tratado. A falta desses serviços está associada a doenças de veiculação hídrica, afastamentos escolares, perda de produtividade e maior pressão sobre o SUS.
Universalizar o saneamento pode mudar esse cenário e gerar ganhos econômicos para o país. Um estudo do mesmo instituto estima R$ 1,455 trilhão em benefícios entre 2021 e 2040, com saldo líquido de R$ 815,7 bilhões após os investimentos necessários. Para além dos números, ampliar o acesso significa reduzir desigualdades e garantir que o direito ao saneamento não dependa do local onde uma pessoa mora.
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