Óleo usado vira sabão, renda e futuro na capital de Mato Grosso do Sul

No Jardim Los Angeles, em Campo Grande, o descarte do óleo de cozinha usado ganhou um novo destino. O que antes poderia ser um problema ambiental passou a ser oportunidade de geração de renda e transformação social, a partir da oficina Bolha de Sabão, iniciativa da Águas Guariroba, concessionária de serviços de água e esgoto.

Uma das protagonistas dessa virada é a agente comunitária de saúde Maria Diva da Silva, 52 anos, formada em Serviço Social. A oficina foi o ponto de partida para que ela e outras mulheres da comunidade transformassem aprendizado em renda.

“Com a ideia da oficina para fazer sabão, nós montamos um grupo de mulheres recolhendo R$ 0,50.”

A primeira aula no bairro reuniu 15 mulheres em agosto de 2024. Poucos dias depois, o grupo já se organizava formalmente. “Nós tivemos uma aula, vamos supor, dia 20 de agosto; dez dias depois já estávamos montando a nossa associação”, conta. Assim surgiu a APFAME (Associação Projeto Feira de Artesanato Mãos que Criam Mulheres Empreendedoras), que completou um ano no dia 5 de janeiro de 2026.

Engajamento da comunidade

“Hoje somos seis mulheres e um homem e, por meio da cooperativa, agregamos mais pessoas, entre jovens e mulheres”, afirma. A iniciativa levou para mais um estágio: a criação da CoopFam (Cooperativa de Trabalho e Empreendimento Mãos que Criam Mulheres Empreendedoras), em novembro de 2025.

Da oficina ao negócio coletivo e criativo 

Atualmente, a cooperativa produz sabão em barra, sabão líquido, detergente, sabonetes, desinfetantes e água sanitária em gel, além de artesanato em crochê. O grupo também reaproveita cascas, materiais secos e embalagens que seriam descartados.

“É oportunidade: produto barato e renda dentro e fora de casa. O dinheiro que você pagava pelo sabão por R$ 15 ou R$ 20, você vai pagar 2 reais.”

Desde 2021,a oficina Bolha de Sabão capacitou mais de 1.150 pessoas em situação de vulnerabilidade e 80 oficinas realizadas em toda Campo Grande, incluindo Anhanduí e Rochedinho. A concessionária passou a solicitar óleo à comunidade em 2023, por meio de campanhas educativas. Contabilizando o arrecadado a partir de 2024, são cerca de 700 litros.

Geração de renda e futuro para toda a comunidade 

Atualmente, a cooperativa produz sabão em barra (500 unidades/semana), sabão líquido (500 litros /semana), detergente (500 litros/semana), sabonetes (60 unidades/ semana), desinfetantes (200 litros/semana) e água sanitária em gel (200 litros/semana). O grupo também produz artesanato em crochê.

Parte dos integrantes da cooperativa, que ampliou leque de produtos.
Parte dos integrantes da cooperativa, que ampliou leque de produtos.

Para Maria Diva, a iniciativa representa mais do que renda. “O meu sentimento é de oportunidade, para que as pessoas tenham mais uma fonte de renda e possam sonhar em ter um futuro para os filhos, além de preservar o meio ambiente. Muitos não sabiam como descartar o óleo e hoje a gente reaproveita”, declara.

Ganhos ambientais

O impacto da ação também está na conscientização ambiental: o que fazer com o óleo de cozinha usado e o que ele provoca quando descartado de forma irregular já são informações bem difundidas na comunidade. 

“Se jogar na pia, vai danificar a encanação da casa e parar na rede de esgoto, prejudicando o meio ambiente”, diz Maria Diva.

A estimativa é de que um litro de óleo possa contaminar cerca de 1 milhão de litros de água. Descartado de forma irregular, o resíduo prejudica o solo, obstrui tubulações e compromete as redes de esgoto, atraindo pragas e favorecendo doenças como leptospirose, cólera e hepatites, com risco de extravasamentos.

“A oficina trouxe oportunidade e preservação, para sair do nível de pobreza com trabalho digno.”

Texto: Chris Reis

Fotos: Acervo pessoal Maria Diva

Fontes: Sabão sustentável | Óleo de cozinha usado

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