A falta de água tratada e de rede de esgoto continua sendo uma das principais causas de adoecimento no Brasil. Das diarreias às arboviroses, milhões de pessoas ainda enfrentam doenças evitáveis — um impacto direto da ausência de infraestrutura básica.
O retrato do problema que ainda afeta milhões
As DRSAI — Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado — são um indicador claro do tamanho do desafio. Segundo levantamento do Instituto Trata Brasil, foram registradas mais de 344 mil internações no Brasil relacionadas a essas doenças em 2024. No ano anterior ao estudo, houve 11.544 óbitos por enfermidades associadas à água contaminada, vetores, falta de higiene e condições inadequadas de moradia.
Essas doenças são mais frequentes justamente nas áreas mais vulneráveis, onde faltam investimentos consistentes em água, esgoto e manejo de resíduos.
As principais formas de transmissão
- Água contaminada
É a chamada transmissão feco-oral, que ocorre quando fezes entram em contato com a água utilizada para consumo ou preparo de alimentos. Doenças como diarreias, hepatite A, febres entéricas e cólera fazem parte desse grupo.
Em 2023, as infecções feco-orais foram responsáveis por 49,1% dos óbitos por DRSAI, segundo estudo do Trata Brasil — mostrando como o esgoto sem tratamento ainda impacta diretamente a saúde.
- Falta de água para higiene
Sem abastecimento adequado, a higiene pessoal e doméstica fica comprometida. Consequência: aumento de conjuntivites, tracoma e micoses.
- Contato com água em áreas contaminadas
Rios, córregos e áreas alagadas contaminadas são porta de entrada para doenças como leptospirose e esquistossomose. Ambientes sem coleta e tratamento de esgoto ampliam o risco de contaminação.
- Proliferação de insetos vetores
A ausência de saneamento favorece vetores como o Aedes aegypti. Dengue, zika e chikungunya representaram mais da metade das internações por DRSAI, de acordo com o levantamento — e seguem como um dos grandes desafios de saúde pública no país.
- Solo e lixo sem manejo adequado
Helmintíases e verminoses se espalham pelo contato com solo e resíduos contaminados. A falta de coleta e de tratamento adequado permite que microrganismos circulem entre pessoas, animais e ambiente.
- Condições precárias de moradia
Falhas na ventilação, presença de insetos e roedores e estruturas improvisadas aumentam o risco de infecções respiratórias e doenças transmitidas por vetores.
A mensagem que esses números reforçam
O saneamento básico é uma das medidas de saúde pública mais eficazes e de maior impacto social. Ele reduz internações, salva vidas, melhora a aprendizagem das crianças, diminui despesas médicas das famílias e rompe ciclos históricos de desigualdade.
Investir em água tratada, esgotamento sanitário e gestão de resíduos não é apenas uma obra de infraestrutura — é cuidado com as pessoas e compromisso com o futuro.
Texto: Rosiney Bigattão
Fotos: Shutterstock
Fontes: UOL Saúde Pública | Trata Brasil | Estudo Saneamento é Saúde | Doenças do saneamento |
LEIA MAIS: