Esgoto: para onde vai a água depois que ela desce para o ralo?

Esgoto: para onde vai a água depois que ela desce para o ralo?

A descarga é acionada, a água da pia desce pelo ralo, o banho termina e a máquina de lavar termina o ciclo. Em poucos segundos, a água usada deixa de ser visível. Mas ela não desaparece: começa uma viagem pela rede de coleta até uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) ou, onde falta saneamento, vai direto para o meio ambiente, de forma inadequada.

Entender esse caminho ajuda a perceber por que o esgoto tratado está tão ligado à saúde, à preservação dos rios e à qualidade de vida. E também mostra que o saneamento começa dentro de casa, mas não termina nela.

Afinal, o que é esgoto?

De forma simples, o esgoto doméstico é formado pela água usada no dia a dia em atividades como lavar louças e roupas, tomar banho ou usar o vaso sanitário. Essa água passa a carregar matéria orgânica, gorduras, detergentes, nutrientes e microrganismos. “Tem ainda o esgoto industrial que precisa atender a certas condições para ser lançado na rede coletora, além de água de infiltração e contribuição pluvial parasitária, conforme a definição da ABNT NBR 9648. Na prática, o esgoto é a água que cumpriu sua função dentro de casa (ou na indústria), mas que não pode ser simplesmente devolvida ao ambiente sem tratamento. Depois que passa pela estação, a parte líquida que resta do processo é chamada de efluente”, explica o engenheiro de Operação da Aegea, Victor M. de Oliveira.

A casa produz esgoto o tempo todo

O banheiro é um dos principais pontos de geração de esgoto. Pias e chuveiros geram água residual, assim como tanques e máquinas de lavar, que lançam líquidos com sabão, produtos de limpeza, sujeira e fibras de tecidos.

No vaso sanitário, a descarga leva fezes e urina para a tubulação. Na pia da cozinha, a água pode carregar restos de alimentos, detergente e gordura. Por isso, imóveis que possuem esse sistema contam, em geral, com caixa de gordura para reter parte desse material antes que cheguem à rede de esgoto.

Ou seja: praticamente toda vez que a água é utilizada dentro de uma casa, existe a geração de esgoto.

Do ralo até a estação de tratamento

Dentro da residência, os diferentes pontos de saída são conectados aos ramais de esgoto. A tubulação conduz o material até a ligação com a rede pública. Quando existe rede de esgoto e o imóvel está conectado a ela, o material produzido segue por uma estrutura que, na maior parte do tempo, fica escondida. Na rua, a rede coletora reúne o esgoto de diferentes imóveis. 

“Sempre que possível, o esgoto percorre as tubulações por gravidade. Em locais onde a topografia não permite esse escoamento, estações elevatórias bombeiam o esgoto para pontos mais altos, de onde ele pode continuar seu percurso até a ETE”, explica o engenheiro.

É ali que começa uma nova etapa: retirar do esgoto aquilo que pode prejudicar a saúde e o meio ambiente.

Como o esgoto é tratado

O processo acontece em etapas, cada uma destinada a retirar determinados tipos de poluentes, com estruturas e tecnologias que variam de acordo com o sistema utilizado. No tratamento preliminar, grades e equipamentos de desarenação barram os resíduos maiores e partículas pesadas. Depois, vem o tratamento primário, que utiliza processos como a decantação para separar sólidos e materiais que podem ser removidos fisicamente. 

No tratamento secundário, microrganismos ajudam a degradar a matéria orgânica presente no esgoto. Essa é uma das principais etapas e pode utilizar diferentes tecnologias.

Em algumas estações, existe ainda o tratamento terciário, que pode acrescentar processos para remover nutrientes, melhorar a qualidade do efluente e reduzir a presença de microrganismos.

A volta do efluente para a natureza

Depois do tratamento do esgoto bruto, o líquido que sai da ETE (efluente) pode ser devolvido ao meio ambiente, desde que atenda aos padrões exigidos para o seu lançamento. 

O processo necessário depende de onde o efluente será lançado e das exigências da legislação ambiental. Rios mais sensíveis, usados para abastecimento, recreação ou preservação, podem exigir etapas adicionais para reduzir poluentes e proteger a qualidade da água. 

Em todos os casos, esse líquido deve atender aos padrões definidos por lei antes de ser despejado no corpo hídrico receptor. 

Produção de lodo e gás

O processo de tratamento de esgoto também gera lodo, material que concentra parte dos sólidos removidos do esgoto e a biomassa formada durante o processo. 

“Como contém muita água, ele normalmente precisa passar por etapas de tratamento, redução de volume e desidratação antes de receber uma destinação adequada, como o envio para aterros sanitários ou o uso como insumo para a fabricação de biofertilizante. Em alguns sistemas, o tratamento do lodo produz biogás, que pode ser aproveitado para gerar energia”, afirma Victor. 

O caminho do esgoto sem tratamento

O esgoto não pode simplesmente ser descartado. Quando não é coletado e tratado adequadamente, ele pode trazer consequências graves para a saúde pública, para o meio ambiente e para toda a sociedade. Saiba mais na próxima reportagem, clicando aqui.

Texto: Ray Santa Cruz

Edição de conteúdo: Rosiney Bigattão

Fotos: ENVATO

Fontes: Agência Brasil | Prisma Pedagógico | Trata Brasil | Globo

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