Médica alerta que falta de saneamento aumenta risco de parto prematuro

Médica alerta que falta de saneamento aumenta risco de parto prematuro

A ausência de saneamento básico não afeta apenas a qualidade de vida — ela pode interferir diretamente no curso da gestação e antecipar riscos graves para mães e bebês. Infecções causadas por água contaminada e condições precárias de higiene estão entre os fatores capazes de desencadear complicações obstétricas importantes.

Segundo a ginecologista Dra. Daniela Bertoncelo, infecções intestinais durante a gravidez vão além de um desconforto pontual e podem provocar reações sistêmicas no organismo materno.

“Infecções intestinais podem provocar desidratação e inflamação no organismo da mãe. Esse processo inflamatório pode estimular contrações uterinas e antecipar o trabalho de parto.”

Além da ameaça de parto prematuro, o quadro é capaz de comprometer a circulação sanguínea e aumentar a probabilidade de problemas mais graves. “Essas infecções podem diminuir o volume sanguíneo, elevar o risco de trombose venosa profunda, favorecer o descolamento de placenta e reduzir a quantidade de líquido amniótico”, completa a especialista.

Higiene precária amplia infecções na gravidez

Outro fator crítico é a falta de acesso a banheiros adequados e a condições básicas de higiene, realidade ainda presente em diversas regiões do país. Na prática clínica, isso se traduz no aumento de infecções recorrentes durante a gestação.

“A falta de higiene adequada aumenta o risco de infecções urinárias e vaginais, como vaginoses bacterianas, que já são comuns na gestação e podem se tornar mais frequentes nesse contexto.” 

Quando não tratadas, essas doenças podem evoluir e desencadear complicações obstétricas, incluindo o parto prematuro.

Impactos começam na gestação e seguem na infância

Os efeitos da falta de saneamento não se limitam ao período gestacional. A exposição a agentes infecciosos pode afetar o bebê ainda no útero e comprometer seu desenvolvimento.

“A falta de saneamento está diretamente relacionada à maior exposição a agentes infecciosos desde a gestação. Em alguns casos, isso pode resultar em doenças congênitas e alterações neurológicas, oculares ou hematológicas.”

Após o nascimento, o cenário também preocupa. Crianças que vivem em ambientes com condições sanitárias precárias tendem a apresentar maior incidência de infecções repetidas, como diarreias, que dificultam a absorção de nutrientes.

“Essas infecções frequentes podem levar à desnutrição e ao atraso no desenvolvimento físico e cognitivo.”

Texto: Ray Santa Cruz

Foto: Banco de imagens Envato

Fontes: : Estudo Trata BrasilAnna Luísa Beserra

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