A economia circular tem ganhado espaço no setor de saneamento como alternativa para reduzir desperdícios, reaproveitar materiais e ampliar práticas sustentáveis nas operações diárias. Em Campo Grande (MS), uma iniciativa voltada à coleta, triagem e recuperação de peças hidráulicas vem mostrando que resíduos podem retornar ao ciclo produtivo com segurança, eficiência e impacto ambiental positivo.
Dentro dessa proposta, a Águas Guariroba (MS), uma das unidades da Aegea em Mato Grosso do Sul, colocou em funcionamento o Espaço Reconecta, uma estação criada para recuperar materiais utilizados em obras e serviços operacionais da concessionária. O projeto busca evitar descartes desnecessários, ampliar o reaproveitamento de matérias-primas e reduzir custos operacionais.
Toda a estrutura do Espaço Reconecta foi idealizada com base em princípios de sustentabilidade, inovação e economia circular. O próprio ambiente utiliza peças recicladas em instalações elétricas, balcões e armários.
Reaproveitamento na prática
Colaborador da empresa há 17 anos, João Clóvis Pinto de Souza acompanha diariamente o trabalho de reaproveitamento das peças. Segundo ele, o processo exige atenção rigorosa aos padrões de qualidade e segurança. O primeiro passo é a triagem: o que pode ser usado, o que vai para reciclagem e o que vai ser descartado.
“Fazemos a triagem e separamos os materiais que podem ser utilizados em outros serviços. Depois, a gente vê o que está faltando na peça para transformar em outras; se falta algum anel ou parafuso, por exemplo. Em seguida, levamos para a betoneira, fazemos a limpeza, secamos, colocamos na bancada, tiramos fotos e iniciamos o reaproveitamento.”
João explica que os materiais chegam das operações em campo, obras e intervenções nas tubulações da cidade. Todos eles passam por avaliação antes de retornarem ao uso.
“A gente vê primeiro a qualidade e garante a segurança da peça, pois, depois da transformação, são feitos vários testes antes do seu retorno ao campo. Tudo acontece conforme as regras e as exigências de qualidade. A peça reutilizada tem que ser idêntica à original.”

João também destaca os ganhos ambientais e operacionais da iniciativa. “A parte mais importante do meu trabalho é agregar o custo-benefício, ou seja, se conseguimos recuperar as peças, não temos que pegar uma nova no estoque, o que contribui, principalmente, para a preservação do meio ambiente. Nossa carta de gás carbônico positivo aumenta, trazendo mais vantagens”, completa.
“É um projeto inovador, que transforma resíduos em recursos, minimizando impactos ambientais e incentivando a consciência ecológica entre colaboradores e a comunidade”, destaca a diretora-executiva da empresa, Francis Moreira.
Economia circular e sustentabilidade
“No saneamento, cada peça recuperada é mais que economia, é sustentabilidade e compromisso com o futuro. Esse projeto corta gastos, reduz desperdícios e contribui para a preservação”, ressalta a supervisora da Central de Serviços, Amanda Élida Jarcem Martins.
A iniciativa já apresenta resultados práticos. Conforme estimativa da área de serviços, o projeto deve gerar uma economia aproximada de R$ 8 mil por mês. Aproximadamente 37 mil peças já foram recuperadas e retornaram com segurança às equipes de campo.
Entre os materiais recuperados estão tubos, registros, adaptadores, juntas Gibault, tubetes, uniões retas, luvas de PVC e colares de tomada utilizados em medidores residenciais e serviços de manutenção em vias públicas.

Tecnologia a favor da reciclagem
Além da recuperação dos materiais, o Espaço Reconecta também aposta em inovação tecnológica para monitorar os resultados da iniciativa. O gerente de serviços, Daniel dos Santos Moreira, explica que o controle das peças é feito por meio de um aplicativo criado por eles, o que permite acompanhar o volume de reaproveitamento e a destinação dos materiais.
“O projeto ajuda a traduzir a missão de trazer a sustentabilidade para o município e reutilizar materiais que seriam descartados no campo. Isso mostra um compromisso com os moradores de que a gente faz o trabalho de fornecer água e esgoto, mas sempre com o viés de cuidar do meio ambiente, além da saúde da população.”
Texto: Ray Santa Cruz
Fotos: Águas Guariroba
Fontes: Águas Guariroba